terça-feira, 8 de julho de 2014

REFLETINDO COM O SENHOR PALOMAR
** Reflexão sobre o texto:” O Modelo dos Modelos “ de Italo Calvino

Senhor Palomar, escrevo para lhe dizer, que a sua busca primeira por um modelo perfeito e adaptável a diferentes realidades ainda acontece entre nós.
Mesmo entre jovens professores saídos de renomadas universidades encontramos aqueles que procuram apostilas e fórmulas prontas para as suas aulas.
Será que não exercitaram a capacidade de ver além, de transformar conhecimentos para diferentes realidades?
Ah! Senhor Palomar; o que mais nos surpreende são algumas escolas de Arte que não sabem ousar e quebrar seus modelos e tendências - mesmo vivenciando a quebra de padrões e conceitos ao estudar a história da arte no decorrer de séculos. Testemunhas das mudanças na avaliação de artistas, renegados em determinado período e exaltados num momento seguinte.
Como é difícil, senhor Palomar, mudar conceitos e ideias, sejam eles quais forem.
O corpo docente do Colégio Pedro II é formado por professores competentes em suas diferentes disciplinas e, também capazes de criar novas metodologias que são referência em outras instituições de ensino.
Mas o que nos falta, senhor Palomar? O que falta a alguns professores, tão habilidosos em fazer diferentes adaptações nas suas salas de aula, para que seus alunos conquistem o padrão CPII, tão almejado pela instituição, por seus pais e responsáveis?
Nada contra a busca da qualidade de ensino numa sociedade tão competitiva. Mas não podemos deixar de concordar com o senhor e com a sua conclusão de que a realidade não é padronizável. E, é isto que nos falta.
Nos falta a compreensão de que não somos o resultado de uma produção em série, saídos de um molde que determina nosso modo de ser e proceder.
Muitos colegas são capazes de transmitir o conhecimento de forma criativa, mas, privilegiando somente aqueles que atingirão o padrão CPII de ensino.
Em nossas salas de aula, temos alunos com necessidades especiais e específicas que dependem da cooperação e da capacidade dos professores em criar estratégias pedagógicas para facilitar sua a inclusão na rotina escolar.
Por que tanta resistência em aceitar a possibilidade de um trabalho integrado com os outros colegas que os atendem? Falta de percepção das variantes da condição humana? Falta de conhecimento das especificidades de cada deficiência? Não aceitamos estas afirmações, pois são professores dedicados e atentos aos seus alunos.
As questões acima podem ser elucidadas pelo professor do AEE, no seu trabalho na sala de recursos ou em atividades integradas com professores, técnicos e gestores da escola .
É ele que pesquisa todas as informações sobre o aluno em estudo, sob o enfoque familiar, escolar e com os profissionais de saúde que o atendem. Estabelece parcerias com os envolvidos acima citados e cria um planejamento para que desenvolva suas habilidades e quebre as barreiras impostas por suas limitações.
Não podemos desenvolver o que não conhecemos. Assim, podemos pensar que a instituição também tem responsabilidade em criar situações que visem a melhoria da aceitação dos alunos de condições especiais. Institucionalizar procedimentos e informar melhor o seu corpo docente sobre a importância da atuação dele na adoção de uma política educacional inclusiva, pode criar um ambiente favorável e parcerias produtivas.
O senhor Palomar pode dizer que a Lei da Inclusão ( Lei no 7853 de 24/10/1989 , regulamentada pelo decreto
 no 3298/1999 ) existe e que deve ser seguida.
Respondemos que devemos seguir a lei mas que o importante é termos a consciência de que o padrão CPII deve ser oferecido para todos, respeitando diferenças e habilidades.


O modelo dos modelos”
Italo Calvino

Houve na vida do senhor Palomar uma época em que sua regra era esta: primeiro, construir um modelo na mente, o mais perfeito, lógico, geométrico possível; segundo, verificar se tal modelo se adapta aos casos práticos observáveis na experiência; terceiro, proceder às correções necessárias para que modelo e realidade coincidam. [..] Mas se por um instante ele deixava de fixar a harmoniosa figura geométrica desenhada no céu dos modelos ideais, saltava a seus olhos uma paisagem humana em que a monstruosidade e os desastres não eram de todo desaparecidos e as linhas do desenho surgiam deformadas e retorcidas. [...] A regra do senhor Palomar foi aos poucos se modificando: agora já desejava uma grande variedade de modelos, se possível transformáveis uns nos outros segundo um procedimento combinatório, para encontrar aquele que se adaptasse melhor a uma realidade que por sua vez fosse feita de tantas realidades distintas, no tempo e no espaço. [...] Analisando assim as coisas, o modelo dos modelos almejado por Palomar deverá servir para obter modelos transparentes, diáfanos, sutis como teias de aranha; talvez até mesmo para dissolver os modelos, ou até mesmo para dissolver-se a si próprio.
Neste ponto só restava a Palomar apagar da mente os modelos e os modelos de modelos. Completado também esse passo, eis que ele se depara face a face com a realidade mal padronizável e não homogeneizável, formulando os seus “sins”, os seus “nãos”, os seus “mas”. Para fazer isto, melhor é que a mente permaneça desembaraçada, mobiliada apenas com a memória de fragmentos de experiências e de princípios subentendidos e não demonstráveis. Não é uma linha de conduta da qual possa extrair satisfações especiais, mas é a única que lhe parece praticável.

segunda-feira, 26 de maio de 2014

AEE e Transtornos Globais do Desenvolvimento e a Comunicação Alternativa


Uma das características da síndrome de TEA é a dificuldade de comunicação e interação social.
Como é impossível pensar em comunicação sem que haja a apropriação de uma linguagem, procuramos através da linguagem musical proporcionar uma interação entre o aluno e o professor.
No exercício proposto, o aluno irá associar sons a figuras apresentadas pelo professor. Professor e aluno atuarão juntos no exercício e terão assim um objetivo compartilhado.
Cada um deles antecipará a ação que irá acontecer: o professor ao improvisar as sequências sonoras e o aluno ao perceber, identificar e escolher a figura que se identifica com o som ouvido.
As figuras e os sons estarão associados a sentimentos e a expressões faciais tão importantes na linguagem gestual e expressiva que o aluno com TEA precisa perceber e exercitar.
O uso de cartões com figuras/símbolos representam um recurso, uma estratégia para ampliar as possibilidades de comunicação no comportamento e na interação do aluno.
O termo que define estas diferentes formas de comunicação, como uso de gestos, expressões faciais, o uso de cartões com figuras, pranchas de alfabetos, chama-se Comunicação Alternativa.

Exercício: Sons e Expressões

1-Público Alvo: Alunos com TEA da 1ª, 2ª série do Ensino Fundamental

2-Local: Sala de Música ou Sala de AEE ( se possuir um teclado, violão,xilofone ou qualquer instrumento em que possa improvisar )

3-Representação visual: Cartões do tamanho de uma folha A4 (ou maior) com figuras que representem expressões faciais de alegria,tristeza, etc....
No início o professor deve começar o exercício com dois elementos. Ir aumentando o número de gravuras conforme a resposta do aluno ao exercício.

4-Desenvolvimento: O professor mostra duas gravuras para o aluno.
Uma representando uma criança triste (ou chorando) e outra representando uma crianças alegre/ sorrindo.
Observamos que não haja dúvida nas representação das figuras escolhidas. Elas devem ser bem significativas dos sentimentos trabalhados.
O professor reforça o significado delas, falando e usando como recurso sua expressão facial e corporal, representando uma situação triste ou alegre.

4.1-1ª Possibilidade: O professor toca uma melodia ou sons improvisados para
representar a figuram alegre. Mostra a gravura para o aluno e pede que ele a mostre toda a vez que ouvi-la. Idem para a figura triste. Alternar as melodias ou improvisos.

4.2- 2ª Possibilidade: Agora o professor não determina mais que sons determinarão a alegria e a tristeza. Vai improvisando e o aluno vai mostrando as figuras, conforme a música sugira alegria ou tristeza para ele.
O professor não deve interferir, pois os sons podem sugerirsentimentos diferentes para as pessoas.
Aí se apresenta mais uma possibilidade de uma interação entre os dois.

4.3- 3ª Possibilidade: O professor oferece fitas coloridas e/ou lenços para o
aluno e pede que ele faça o que quiser ( o que sentir ) quando ouvir este ou aquele som.
Observação: Para estes exercícios o professor já deve ter desenvolvido algum entrosamento com o aluno. As mudanças sugeridas ocorrerão ( ou não ) em etapas
que serão determinadas pelas reações do aluno aos exercícios.

5- Na Classe de AEE. *O professor do AEE pode desenvolver um trabalho com expressão corporal e facial.
*Criar um jogo da memória com figuras que representem outros sentimentos.
*Fazer recorte e colagem procurando em revistas, por exemplo figuras com expressão alegre.
*Levar o aluno a escrever pequenas frases com temas alegres ou tristes ( com raiva...surpresa, etc.... )







sábado, 3 de maio de 2014

UMA ABORDAGEM SOBRE SURDOCEGUEIRA E DEFICIÊNCIA MÚLTIPLA
               

                    Começamos nossa reflexão sobre  aspectos importantes da surdocegueira e da deficiência múltipla  citando as definições do livro da Profa Shirley Maia em 2011.
“SURDOCEGUEIRA é a terminologia para se definir pessoas que têm perdas visuais e auditivas  concomitantes  em diferentes graus”
“A DEFICIÊNCIA MÚLTIPLA é considerada como uma associação de duas ou mais deficiências”
                        Segundo publicação do MEC em 2006, a deficiência múltipla não é caracterizada pelo somatório das diferentes condições, mas sim, o nível de desenvolvimento, as possibilidades funcionais de comunicação e a interação social e de aprendizagem é que determinam as necessidades educacionais dessas pessoas.
                 Em virtude de não se beneficiarem dos programas educacionais, que pessoas com deficiência visual ou pessoas surdas recebiam, familiares e profissionais se uniram e, a partir de 1991, conquistaram o reconhecimento da surdocegueira como uma deficiência única.
                  O surdocego é aquela pessoa que possui dificuldades visuais e auditivas, não importando o grau dessas deficiências.
              Pessoas com necessidades especiais necessitam estratégias e adaptações para que possam ter sucesso na interação com o outro no meio social.
                 As perdas sensoriais de visão e ou audição, no surdocego ou na pessoa com deficiência múltipla devem ser avaliadas para que os resíduos de visão ou de audição sejam estimulados.
                 A adaptação do ambiente familiar e da escola é fundamental para a sua segurança e conforto.
                Deficientes físicos e deficientes visuais necessitam de barras de apoio, rampas, mobiliário adaptado, posicionamento adequado da iluminação, banheiros adaptados.......
               Estas adaptações realizadas com cores contrastantes, texturas variadas, tamanhos de letras e linhas aumentadas e a apresentação de objetos destacados em relação ao plano de fundo, são tão importantes no trabalho com surdocegos,   quanto no trabalho com deficientes visuais e/ou intelectuais.
                  O  tempo de atendimento e o tempo para realização e resposta dos exercícios também deve ser observado.
                Pessoas com deficiência física, psíquica e sensorial se fadigam com facilidade. Podem ocorrer uma fadiga muscular, ou uma fadiga ocular. Também não podemos esquecer que o uso de medicamentos pode torná-los sonolentos, assim, o que pode parecer falta de compreensão ou desinteresse tem uma motivação física e medicamentosa.
                Problemas relacionados à comunicação e à interação social são pertinentes a todos os casos de deficiência. O isolamento social pode trazer dificuldades comportamentais e emocionais como hiperatividade, agressão ou autoagressão.
               Pela dificuldade de sua condição, o surdocego precisa de estratégias e métodos de comunicação especiais para organizar sua rotina diária.
                Precisa vencer problemas de comunicação com o meio, problemas relacionados à orientação no meio social e relacionados com a obtenção de informação.
                O professor deve investigar as potencialidades comunicativas do aluno – em que estágio se encontra: se já recebe e processa a informação
( receptiva ) ou se requer um comunicador passe a informação para outra pessoa (expressiva). Deve também observar, com atenção, suas tentativas de comunicação. Deve estimular e criar situações em que o aluno apresente necessidade de se comunicar, com o seu parceiro de comunicação e com as pessoas de sua convivência.
               O surdocego de nascença necessita mais do que todos, de um mediador para perceber, interpretar e conhecer o mundo que o cerca. Precisa de uma abordagem multisensorial (visual, auditiva, tátil e cinestésica ).
                Estas conquistas são muito importantes para a sua inclusão na rotina diária e para sua adaptação na rotina escolar.
                Shirley Maia relembra que a alfabetização começa desde que a criança interage com o mundo, em muitos momentos de sua vida.
Ela se estrutura nas trocas de informação com o outro, observando a natureza e no reconhecimento de si mesmo em relação ao mundo.
               Vencer as barreiras do isolamento social e de autoestima são etapas fundamentais e facilitadoras para uma boa alfabetização.
               Surdocegos, deficientes intelectuais ou qualquer pessoa com necessidades especiais precisam que todos os profissionais da escola, da saúde, colegas e a família tenham o mesmo objetivo: dar-lhes as ferramentas necessária para o seu desenvolvimento.
               Medicamentos, terapias e o entrosamento família-escola, colaboram para que o deficiente organize a sua rotina, se oriente no tempo/espaço e adquira, até onde seja possível, uma independência nos hábitos de higiene.
                Nas atividades escolhidas, jogos de memória, jogos para a coordenação fina, material concreto, calendários com objetos de referência, fantoches, massinhas, cartões de comunicação, livros com colagens em alto relevo e texturas facilitam a compreensão e a aprendizagem de qualquer educando.
                A alfabetização e o desenvolvimento das potencialidades do indivíduo são fundamentais para a sua inclusão na sociedade.


                                                                              


                                                 Bibliografia:
BRENNAM,Vickie. PECK, Flo, LOLLI, Dennis. Livro de Sugestões Para Modificação
           do Ambiente em Casa e na Escola – UM Manual para `Para Pais e
           Professores de Crianças com Surdocegueira                         
MAIA, Shirley Rodrigues. O Passo a Passo do Estudo de Caso para Pessoas com
           Deficiência Múltipla e Sudocegueira -  Baseado no Roteiro da Deficiência
           Intelectual, elaborado PR Adriana Leite Limaverde Gomes e Rosa Ma
           Corrêa.
MAIA,Shirley Rodrigues. Surdocegueira. Alfabetização.                              
SERPA ,Ximena. Comunicação Para pessoa com Surdocegueira. Instituto Nacional Para Cegos
          Revisão:Shirley Maia.Bogotá,Colombia,2002

http://youtu.be/wtMaIxfQQ4c

segunda-feira, 3 de março de 2014

A Educação Escolar de Pessoas Surdas

                        O texto em estudo aborda o embate entre oralistas e gestualistas e a concepção pós- moderna,de tendência bilíngue, para a educação linguística da pessoa com surdez.Ressalta o equívoco de se considerar a surdez como uma deficiência que “enclausura a pessoa surda no chamado mundo surdo,mas como ser  biopsicosocial, cognitivo, cultural”( Damázio, Ferreira, pag46 ).  

                         As concepções  desenvolvidas sobre a educação das pessoas surdas divide estudiosos que fundamentaram suas ideias em três abordagens diferentes: oralismo, comunicação total e bilinguismo. Oralistas e defensores da comunicação total não proporcionaram um desenvolvimento satisfatório pois, de certa forma, a pessoa com surdez continuava isolada, segregada a um mundo de “cultura surda” e com déficits cognitivos.

                        Oralistas  capacitam o indivíduo com o uso da voz e da leitura labial, tanto na escola quanto no meio social. Não aceitam o uso da língua de sinais, dificultando assim o relacionamento e aprendizagem na escola e no meio familiar.
                        A terceira abordagem, o bilinguismo, apresentou resultados mais positivos ao capacitar a pessoa surda a utilizar as duas línguas: Libras e a Língua Portuguesa; o que possibilitou a pessoa com surdez a construir um ambiente propício para a aprendizagem e facilitou sua interação no ambiente escolar.
                        Damázio e Ferreira ( Ed.Escolar de Pessoas com Surdez, 2010 ) apontam a importância de se “interpretar a pessoa com surdez como ser humano capaz, produtivo e com potencialidades múltiplas para “ adquirir e desenvolver, não somente processos visuais-gestuais , mas também desenvolver os aspectos cognitivos, culturais, sociais e linguísticos.
            A  abordagem bilíngue teve um papel importante para a aquisição destas competências, em ambientes em que os surdos e ouvintes estudam juntos, numa proposta bilíngue; prática que é enriquecedora para surdos e/ou ouvintes.
            Estas práticas valorizam a integração e quebram tabus e preconceitos na convivência entre surdos e ouvintes. A pessoa com surdez não fica restrita aos elementos básicos da cultura surda. Ela aprende a interagir e a usufruir de todas as oportunidades que lhe são oferecidas.
            A nova política de educação no Brasil tem por objetivo uma perspectiva de inclusão, com destaque especial para as pessoas com qualquer tipo de deficiência ou pessoa surda.
            Para os surdos, o decreto 5626de 5/12/2005 garante o direito a uma educação com formação da pessoa surda nas duas línguas: em Libras e na Língua Portuguesa, na modalidade escrita. Apesar do apoio legal muitos são os entraves para que este aprendizado apresente resultados positivos.
                        Para que a aprendizagem se realize precisamos de uma escola especializada, com profissionais gabaritados, que proporcionem ao aluno um ambiente com diferentes experiências e informações e que reveja constantemente as suas práticas pedagógicas. O aprendizado não deverá estar centrado em um só processo perceptual ou prática pedagógica, de maneira que oportunize um processo de integração amplo, em que as diferentes linguagens não sejam o centro de tudo, mas que, integradas com outras experiências e formas de expressão, façam o aluno ampliar seu conhecimentos e capacidade de dominar diferentes formas de comunicação .
                         No Brasil sofremos com a deficiência na formação de profissionais habilitados e na estrutura curricular das escolas, com o agravante que as experiências escolares são recentes, as propostas pedagógicas ainda não estão sistematizadas e as publicações científicas sobre o tema são escassas.
                        Neste contexto vemos a importância do AEE PS no trabalho de reconhecimento e desenvolvimento do potencial da pessoa com surdez.          Trabalhando normalmente, num período adicional de horas diárias, o professor do AEE tem uma atuação centrada no pensar e no fazer pedagógico, criando um ambiente em que o aluno é levado a aprender a aprender.
Dividido em três momentos no contraturno, o aluno tem o aprendizado em Libras,
o aprendizado de Libras e o aprendizado de Língua Portuguesa.
                        Ele produz pela compreensão dos conhecimentos organizados num currículo nem linear, nem hierarquizado. Aprende interagindo na sala de aula comum, no atendimento do AEE, construindo e reconstruindo experiências e vivências conceituais.

Bibliografia:
DAMÁZIO,Mirlene Ferreira Macedo,FERREIRA, Josimário de Paulo.Educação
       Escolar de Pessoas com Surdez- Atendimento Educacional Especializado em Construção.
       Revista Inclusão.MEC,  jan/jul 2010           

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

O CORPO E A IMAGINAÇÃO CRIATIVA

Exercícios de Conscientização do Esquema Corporal , Sensibilização e Imaginação Criativa

Em muitas escolas não temos recursos de audiovisual. Mesmo assim, a professora pode criar atividades que estimulem seus alunos cegos ou com baixa visão a desenvolver a criatividade e o autoconhecimento.
Selecionamos algumas práticas que já desenvolvemos com crianças, adolescentes e adultos em escolas regulares e em escolas vocacionais de música.
As práticas são exercícios de sensibilização, relaxamento e conscientização do esquema corporal.
Para os exercícios não escolhemos exemplos com imagens, propositalmente.
Podem ser ministrados numa classe em que alunos sem deficiência visual, com baixa visão ou cegos podem atuar juntos.
Modificamos a linguagem e o ritmo dos exercícios, conforme a faixa etária da classe e podem se desenvolver em várias aulas.

1º Exercício


*****Valorizamos o som, o toque, a concentração, a imaginação criadora, a direcionalidade,a lateralidade, a percepção auditiva, o controle e a consciência corporal



Formação: Alunos dispersos pela sala no pulso direito uma fita de seda
( 70cms ), no esquerdo uma corda fina de sisal ( 70cms ).
Os alunos se movimentam movendo as fitas ao som do fundo musical, com os comandos sugeridos abaixo.


1- Dançando com as fitas em movimentos circulares, acima da cabeça, rodando sobre o chão, de um lado....do outro lado ( ou nomeando direita x esquerda ). Individualmente, em dupla, em trio, etc.....Conforme o tipo de entrosamento pretendido.
2- A um determinado momento a profa começa a sugerir que passem de forma alternada e bem devagar as fitas nos braços, nas pernas, no rosto experimentando as diferentes texturas
3- Agora sem as fitas, sugerir que passem a mão no rosto, sentindo os contornos da face, do nariz da boca, as sobrancelhas....os cabelos .
Experimentar movimentos com os olhos, sons com a boca, movimentar as bochechas...fazer caretas
** Gosto de fazer estes exercícios de olhos fechados para que um não influencie o outro
Passar para as outras partes do corpo......
• Sentir os braços, os pelinhos dos braços...abraçar a si mesmo
• Sentir as mãos, os dedos, apertar uma contra a outra, etc.....
• Continuar com as pernas, pés, abdômen, costas........
* *Terminar sempre com movimentos livres ou com um relaxamento

F
undo Musical sugerido:
*Ária da 4ª Corda de J.S. Bach ( Ária in G )
*Lento do Concerto em Fá menor , no 2 ,op21, 2º movimento - Frédérick Chopin.
* Concerto duplo em Ré menor ( 2 violinos ) BWV1043 de J. S. Bach
* Valsa Para Uma Menininha - Vinícius de Moraes e Toquinho
*Corujinha Vinícius de Moraes
* Ou qualquer trilha sonora que permita ou sugira movimentos lentos e amplos.



2º Exercício: História Sonora

*****Desenvolvimento da imaginação criativa, a atenção continuada, a percepção auditiva, a direcionalidade do som, a consciência do corpo no espaço e a socialização.

Formação: Turma sentada em círculo.... No meio da roda estão distribuídos instrumentos convencionais e materiais diversos ( papéis de diferentes texturas, plásticos, favas com sementes, radiografias velhas, gravetos.....o que a professora puder recolher para a atividade.


1º - A professora conta a história

2º - Cada aluno escolhe um elemento que foi colocado no centro da roda
3º -Todos juntos pesquisam e organizam os sons que poderiam ser usados em uma “sonoplastia” ou na recontagem da história.Também podem ser empregados sons corporais ou vocais...sons onomatopéicos )
4º Os alunos se agrupam por timbre sonoro e escolhem em que parte da história irão atuar

5º - A professora reconta a história com os alunos fazendo a sonoplastia
6º - A história é recontada, sem a fala da professora, só com os sons feitos pelos
alunos
***A professora pode “reger” o desenrolar da história ou pode sugerir que um aluno o
faça.
*** A turma pode criar uma outra história e sonorizá-la

O exercício pode ser aproveitado para a feitura de uma listagem de sons:
*Sons da natureza x sons emitidos pelo homem
* Sons agudos x sons graves
* Sons longos x sons interrompidos ( curtos )

História : “Guilherme e o Jogo de Futebol
Guilherme sai de casa batendo a porta ( som de batida da porta ), apressado
( sons de passos ) para ir ao campo jogar bola.
Corta caminho vai pelo terreno baldio, cheio de galhos cortados e folhas caídas no chão.( sons de galhos pisados, folhas etc... ).
Nossa! Sente pingos de chuva..( sons de pingos de água )......A chuva vai aumentando
( sons da chuva aumentando) e Guilherme corre ( passos correndo ).
De longe vê seus amigos ...Grita: oi ! oi!...Todos respondem ( sons de vozes )
Guilherme já chega chutando a bola ( som do chute na bola ) em direção à rede e grita: GOOOOOOOL ( todos podem gritar gol )

AUDIODESCRIÇÃO

AUDIODESCRIÇÃO - e o acesso aos meios de comunicação

A audiodescrição permite ao deficiente visual o acesso aos meios de comunicação como a televisão, o cinema, a dança, o teatro e as artes em geral , descrevendo a cena que se passa na tela, no palco ou mesmo em uma exposição de artes plásticas.
Atualmente, também em eventos esportivos, já encontramos este recurso que permite aos deficientes visuais participar, em tempo real, da emoção de um jogo ou uma competição esportiva qualquer.
“Desde 1º de julho de 2011 foi instituída a obrigatoriedade, de pelo
menos duas horas semanais, de conteúdo com autodescrição para as
emissoras com sinal aberto e transmissão digital, na condição de faixa
de áudio adicional” ( Wikipédia )


Como exemplo de exercício selecionei o vídeo “Alma Carioca: um Choro de menino”.
Vídeo:HTTP://youtu.be/knPc4pf5rms

Ele descreve a vida de um menino da zona portuária do Rio de Janeiro, suas brincadeiras e a atração que sente ao ouvir os primeiros acordes de um cavaquinho.
A partir daí cada empinada de pipa ou um jogo de búlica eram interrompidos pelos sons do “Choro”.
Descoberto pelo grupo de “chorões” , o menino é convidado por eles para ingressar naquele mundo de fantásticas sonoridades e ritmo.
A história nos remete à realidade dos mestres deste gênero, o “Choro” , no início do século XX e pode ter feito parte da vida de Donga, João da Baiana ou Pixinguinha.
O tema executado é “Vou Pra Casa “ de autoria de Pixinguinha

Desenvolvimento:

1- A professora fala um pouco sobre a história do “Choro” , a vida da sociedade na época e sobre a zona portuária no Rio de Janeiro - onde se estruturaram vários gêneros da música popular brasileira.
2- Coloca o vídeo e descreve as cenas....comenta a questão da iluminação na época.... as ladeiras.... o calçamento de pedra....as brincadeiras infantís.
3- Enquanto descreve ela vai chamando atenção para os sons escutados.
O vento nas roupas do varal, o sino da igreja, o apito do navio, o som das bolas de gude.......o som de vozes
Os primeiros acordes do cavaquinho....o pandeiro.... o grupo instrumental .... a flauta...
Agora todos vão interagir.......
***Obs: A aula foi estruturada para uma turma de alunos cegos ou com baixa visão ou em uma classe junto com alunos sem deficiência visual.
Sugestões
1- Ao ouvirem qualquer um dos sons evidenciados pela professora, levantam o braço e falam o que ouviram ( vento...sino... som de cavaco..... o conjunto instrumental )

2- A professora distribui para um grupo papéis variados ( para imitar o som do vento nas roupas do varal ), sininhos ( para serem tocados na hora em que ouvirem o som dos sinos da igreja). Apitos para imitarem o som do navio. Um instrumento de corda para o aluno dedilhar ao ouvir o cavaco. Uma flauta doce que fará um som qualquer ao ouvir o som de instrumento de sopro.
**Todos terão caixinhas ou qualquer potinho com sementes para acompanhar o conjunto instrumental quando ele executar o Choro
A aula termina com todos tocando os “chocalhos” e dançando livremente pela sala.



sábado, 19 de outubro de 2013

ATIVIDADES PARA ALUNOS COM DEFICIÊNCIA INTELECTUAL

O Alfabeto Móvel é um recurso muito usado na alfabetização nas classes regulares e nas salas de recursos multifuncionais com os alunos que apresentam deficiência intelectual.
No desenvolvimento da atividade, o professor deve considerar o emocional de seu aluno, o tempo de concentração que ele suporta e o estágio da alfabetização em que se encontra . Os novos desafios serão apresentados a cada etapa vencida. Outro fator importante a ser observado, é a capacidade do professor em manipular os exercícios oferecidos. Salvo casos especiais, a criança sempre aprecia novidades e se sente estimulada com os novos desafios. Abaixo selecionamos algumas possibilidades de exercícios com diferentes apresentações do alfabeto móvel. Os recursos são infinitos..Observem este feito em tampinhas de refrigerante da oficinaped.blogspot.com
*1- Com as letrinhas soltas o aluno já pode ir formando palavras com os fonemas que conhece e assim ir descobrindo novas possibilidades
*2- É importante que ele tenha sucesso, assim o professor deve procurar palavras fáceis e do interesse do aluno.
*3- As variantes irão acontecer conforme o progresso do aluno.De letras soltas pode-se partir para fichas de sílabas e até de frases para o desenvolvimento da leitura.
*4- As fichas soltas podem formar um quadro com sílabas em ordem inversa para serem ordenadas. O trabalho podem ter sua dificuldade minimizada com o apoio visual de figuras ..como o quadro abaixo


*5-No blog de endereço,alfabetizacaocefaproponteslacerda.blogspot.com, encontramos um quadro mais complexo que pode ser apresentado para alunos em estágio mais avançado.
Atividade “A”: Caixa rasa com cartelas soltas de sílabas e figuras.
Atividade “B”: 1-EVA com figuras do lado esquerdo e com quadriculados que correspondem ao número de letras da palavra à esquerda.
2- Fichas com letras soltas




Criando variações em Jogos

1- A Caixa de Segredos. ( jogo simbólico )
Formação: Uma grande caixa com figuras de animais, personagens e objetos variados... O aluno olha para o lado, retira uma figura ou objeto e diz uma palavra ou cria uma história
Objetivo: Desenvolver a expressão oral
Obs: A profa pode, propositalmente, colocar na caixa objetos que tenham relação com o ambiente afetivo do aluno


2-Alegre x Triste
Antes conversar sobre sentimentos. O que o faz ficar alegre ou triste...... No final, pedir que conte alguma coisa alegre ( ou triste ) que aconteceu com ele.
Objetivos: Desenvolver os reflexos, a atenção continuada, a lateralidade .Trabalhar a expressão oral
Formação: Profa com duas imagens de figuras coladas em um prato de papelão Uma figura com expressão alegre.Outra figura com expressão triste Aluno: com uma fita azul em uma das mãos e uma fita vermelha na outra mão **O aluno irá escolher que cor irá representar cada uma das figuras
Regra do jogo: A profa mostra de forma alternada uma ou outra figura e o aluno deve levantar a fita com a cor que escolheu para representá-la.... Quando a profa mostrar as duas figuras ao mesmo tempo.......... Peça para o aluno decidir o que ele fará.....