segunda-feira, 26 de maio de 2014

AEE e Transtornos Globais do Desenvolvimento e a Comunicação Alternativa


Uma das características da síndrome de TEA é a dificuldade de comunicação e interação social.
Como é impossível pensar em comunicação sem que haja a apropriação de uma linguagem, procuramos através da linguagem musical proporcionar uma interação entre o aluno e o professor.
No exercício proposto, o aluno irá associar sons a figuras apresentadas pelo professor. Professor e aluno atuarão juntos no exercício e terão assim um objetivo compartilhado.
Cada um deles antecipará a ação que irá acontecer: o professor ao improvisar as sequências sonoras e o aluno ao perceber, identificar e escolher a figura que se identifica com o som ouvido.
As figuras e os sons estarão associados a sentimentos e a expressões faciais tão importantes na linguagem gestual e expressiva que o aluno com TEA precisa perceber e exercitar.
O uso de cartões com figuras/símbolos representam um recurso, uma estratégia para ampliar as possibilidades de comunicação no comportamento e na interação do aluno.
O termo que define estas diferentes formas de comunicação, como uso de gestos, expressões faciais, o uso de cartões com figuras, pranchas de alfabetos, chama-se Comunicação Alternativa.

Exercício: Sons e Expressões

1-Público Alvo: Alunos com TEA da 1ª, 2ª série do Ensino Fundamental

2-Local: Sala de Música ou Sala de AEE ( se possuir um teclado, violão,xilofone ou qualquer instrumento em que possa improvisar )

3-Representação visual: Cartões do tamanho de uma folha A4 (ou maior) com figuras que representem expressões faciais de alegria,tristeza, etc....
No início o professor deve começar o exercício com dois elementos. Ir aumentando o número de gravuras conforme a resposta do aluno ao exercício.

4-Desenvolvimento: O professor mostra duas gravuras para o aluno.
Uma representando uma criança triste (ou chorando) e outra representando uma crianças alegre/ sorrindo.
Observamos que não haja dúvida nas representação das figuras escolhidas. Elas devem ser bem significativas dos sentimentos trabalhados.
O professor reforça o significado delas, falando e usando como recurso sua expressão facial e corporal, representando uma situação triste ou alegre.

4.1-1ª Possibilidade: O professor toca uma melodia ou sons improvisados para
representar a figuram alegre. Mostra a gravura para o aluno e pede que ele a mostre toda a vez que ouvi-la. Idem para a figura triste. Alternar as melodias ou improvisos.

4.2- 2ª Possibilidade: Agora o professor não determina mais que sons determinarão a alegria e a tristeza. Vai improvisando e o aluno vai mostrando as figuras, conforme a música sugira alegria ou tristeza para ele.
O professor não deve interferir, pois os sons podem sugerirsentimentos diferentes para as pessoas.
Aí se apresenta mais uma possibilidade de uma interação entre os dois.

4.3- 3ª Possibilidade: O professor oferece fitas coloridas e/ou lenços para o
aluno e pede que ele faça o que quiser ( o que sentir ) quando ouvir este ou aquele som.
Observação: Para estes exercícios o professor já deve ter desenvolvido algum entrosamento com o aluno. As mudanças sugeridas ocorrerão ( ou não ) em etapas
que serão determinadas pelas reações do aluno aos exercícios.

5- Na Classe de AEE. *O professor do AEE pode desenvolver um trabalho com expressão corporal e facial.
*Criar um jogo da memória com figuras que representem outros sentimentos.
*Fazer recorte e colagem procurando em revistas, por exemplo figuras com expressão alegre.
*Levar o aluno a escrever pequenas frases com temas alegres ou tristes ( com raiva...surpresa, etc.... )







sábado, 3 de maio de 2014

UMA ABORDAGEM SOBRE SURDOCEGUEIRA E DEFICIÊNCIA MÚLTIPLA
               

                    Começamos nossa reflexão sobre  aspectos importantes da surdocegueira e da deficiência múltipla  citando as definições do livro da Profa Shirley Maia em 2011.
“SURDOCEGUEIRA é a terminologia para se definir pessoas que têm perdas visuais e auditivas  concomitantes  em diferentes graus”
“A DEFICIÊNCIA MÚLTIPLA é considerada como uma associação de duas ou mais deficiências”
                        Segundo publicação do MEC em 2006, a deficiência múltipla não é caracterizada pelo somatório das diferentes condições, mas sim, o nível de desenvolvimento, as possibilidades funcionais de comunicação e a interação social e de aprendizagem é que determinam as necessidades educacionais dessas pessoas.
                 Em virtude de não se beneficiarem dos programas educacionais, que pessoas com deficiência visual ou pessoas surdas recebiam, familiares e profissionais se uniram e, a partir de 1991, conquistaram o reconhecimento da surdocegueira como uma deficiência única.
                  O surdocego é aquela pessoa que possui dificuldades visuais e auditivas, não importando o grau dessas deficiências.
              Pessoas com necessidades especiais necessitam estratégias e adaptações para que possam ter sucesso na interação com o outro no meio social.
                 As perdas sensoriais de visão e ou audição, no surdocego ou na pessoa com deficiência múltipla devem ser avaliadas para que os resíduos de visão ou de audição sejam estimulados.
                 A adaptação do ambiente familiar e da escola é fundamental para a sua segurança e conforto.
                Deficientes físicos e deficientes visuais necessitam de barras de apoio, rampas, mobiliário adaptado, posicionamento adequado da iluminação, banheiros adaptados.......
               Estas adaptações realizadas com cores contrastantes, texturas variadas, tamanhos de letras e linhas aumentadas e a apresentação de objetos destacados em relação ao plano de fundo, são tão importantes no trabalho com surdocegos,   quanto no trabalho com deficientes visuais e/ou intelectuais.
                  O  tempo de atendimento e o tempo para realização e resposta dos exercícios também deve ser observado.
                Pessoas com deficiência física, psíquica e sensorial se fadigam com facilidade. Podem ocorrer uma fadiga muscular, ou uma fadiga ocular. Também não podemos esquecer que o uso de medicamentos pode torná-los sonolentos, assim, o que pode parecer falta de compreensão ou desinteresse tem uma motivação física e medicamentosa.
                Problemas relacionados à comunicação e à interação social são pertinentes a todos os casos de deficiência. O isolamento social pode trazer dificuldades comportamentais e emocionais como hiperatividade, agressão ou autoagressão.
               Pela dificuldade de sua condição, o surdocego precisa de estratégias e métodos de comunicação especiais para organizar sua rotina diária.
                Precisa vencer problemas de comunicação com o meio, problemas relacionados à orientação no meio social e relacionados com a obtenção de informação.
                O professor deve investigar as potencialidades comunicativas do aluno – em que estágio se encontra: se já recebe e processa a informação
( receptiva ) ou se requer um comunicador passe a informação para outra pessoa (expressiva). Deve também observar, com atenção, suas tentativas de comunicação. Deve estimular e criar situações em que o aluno apresente necessidade de se comunicar, com o seu parceiro de comunicação e com as pessoas de sua convivência.
               O surdocego de nascença necessita mais do que todos, de um mediador para perceber, interpretar e conhecer o mundo que o cerca. Precisa de uma abordagem multisensorial (visual, auditiva, tátil e cinestésica ).
                Estas conquistas são muito importantes para a sua inclusão na rotina diária e para sua adaptação na rotina escolar.
                Shirley Maia relembra que a alfabetização começa desde que a criança interage com o mundo, em muitos momentos de sua vida.
Ela se estrutura nas trocas de informação com o outro, observando a natureza e no reconhecimento de si mesmo em relação ao mundo.
               Vencer as barreiras do isolamento social e de autoestima são etapas fundamentais e facilitadoras para uma boa alfabetização.
               Surdocegos, deficientes intelectuais ou qualquer pessoa com necessidades especiais precisam que todos os profissionais da escola, da saúde, colegas e a família tenham o mesmo objetivo: dar-lhes as ferramentas necessária para o seu desenvolvimento.
               Medicamentos, terapias e o entrosamento família-escola, colaboram para que o deficiente organize a sua rotina, se oriente no tempo/espaço e adquira, até onde seja possível, uma independência nos hábitos de higiene.
                Nas atividades escolhidas, jogos de memória, jogos para a coordenação fina, material concreto, calendários com objetos de referência, fantoches, massinhas, cartões de comunicação, livros com colagens em alto relevo e texturas facilitam a compreensão e a aprendizagem de qualquer educando.
                A alfabetização e o desenvolvimento das potencialidades do indivíduo são fundamentais para a sua inclusão na sociedade.


                                                                              


                                                 Bibliografia:
BRENNAM,Vickie. PECK, Flo, LOLLI, Dennis. Livro de Sugestões Para Modificação
           do Ambiente em Casa e na Escola – UM Manual para `Para Pais e
           Professores de Crianças com Surdocegueira                         
MAIA, Shirley Rodrigues. O Passo a Passo do Estudo de Caso para Pessoas com
           Deficiência Múltipla e Sudocegueira -  Baseado no Roteiro da Deficiência
           Intelectual, elaborado PR Adriana Leite Limaverde Gomes e Rosa Ma
           Corrêa.
MAIA,Shirley Rodrigues. Surdocegueira. Alfabetização.                              
SERPA ,Ximena. Comunicação Para pessoa com Surdocegueira. Instituto Nacional Para Cegos
          Revisão:Shirley Maia.Bogotá,Colombia,2002

http://youtu.be/wtMaIxfQQ4c