segunda-feira, 3 de março de 2014

A Educação Escolar de Pessoas Surdas

                        O texto em estudo aborda o embate entre oralistas e gestualistas e a concepção pós- moderna,de tendência bilíngue, para a educação linguística da pessoa com surdez.Ressalta o equívoco de se considerar a surdez como uma deficiência que “enclausura a pessoa surda no chamado mundo surdo,mas como ser  biopsicosocial, cognitivo, cultural”( Damázio, Ferreira, pag46 ).  

                         As concepções  desenvolvidas sobre a educação das pessoas surdas divide estudiosos que fundamentaram suas ideias em três abordagens diferentes: oralismo, comunicação total e bilinguismo. Oralistas e defensores da comunicação total não proporcionaram um desenvolvimento satisfatório pois, de certa forma, a pessoa com surdez continuava isolada, segregada a um mundo de “cultura surda” e com déficits cognitivos.

                        Oralistas  capacitam o indivíduo com o uso da voz e da leitura labial, tanto na escola quanto no meio social. Não aceitam o uso da língua de sinais, dificultando assim o relacionamento e aprendizagem na escola e no meio familiar.
                        A terceira abordagem, o bilinguismo, apresentou resultados mais positivos ao capacitar a pessoa surda a utilizar as duas línguas: Libras e a Língua Portuguesa; o que possibilitou a pessoa com surdez a construir um ambiente propício para a aprendizagem e facilitou sua interação no ambiente escolar.
                        Damázio e Ferreira ( Ed.Escolar de Pessoas com Surdez, 2010 ) apontam a importância de se “interpretar a pessoa com surdez como ser humano capaz, produtivo e com potencialidades múltiplas para “ adquirir e desenvolver, não somente processos visuais-gestuais , mas também desenvolver os aspectos cognitivos, culturais, sociais e linguísticos.
            A  abordagem bilíngue teve um papel importante para a aquisição destas competências, em ambientes em que os surdos e ouvintes estudam juntos, numa proposta bilíngue; prática que é enriquecedora para surdos e/ou ouvintes.
            Estas práticas valorizam a integração e quebram tabus e preconceitos na convivência entre surdos e ouvintes. A pessoa com surdez não fica restrita aos elementos básicos da cultura surda. Ela aprende a interagir e a usufruir de todas as oportunidades que lhe são oferecidas.
            A nova política de educação no Brasil tem por objetivo uma perspectiva de inclusão, com destaque especial para as pessoas com qualquer tipo de deficiência ou pessoa surda.
            Para os surdos, o decreto 5626de 5/12/2005 garante o direito a uma educação com formação da pessoa surda nas duas línguas: em Libras e na Língua Portuguesa, na modalidade escrita. Apesar do apoio legal muitos são os entraves para que este aprendizado apresente resultados positivos.
                        Para que a aprendizagem se realize precisamos de uma escola especializada, com profissionais gabaritados, que proporcionem ao aluno um ambiente com diferentes experiências e informações e que reveja constantemente as suas práticas pedagógicas. O aprendizado não deverá estar centrado em um só processo perceptual ou prática pedagógica, de maneira que oportunize um processo de integração amplo, em que as diferentes linguagens não sejam o centro de tudo, mas que, integradas com outras experiências e formas de expressão, façam o aluno ampliar seu conhecimentos e capacidade de dominar diferentes formas de comunicação .
                         No Brasil sofremos com a deficiência na formação de profissionais habilitados e na estrutura curricular das escolas, com o agravante que as experiências escolares são recentes, as propostas pedagógicas ainda não estão sistematizadas e as publicações científicas sobre o tema são escassas.
                        Neste contexto vemos a importância do AEE PS no trabalho de reconhecimento e desenvolvimento do potencial da pessoa com surdez.          Trabalhando normalmente, num período adicional de horas diárias, o professor do AEE tem uma atuação centrada no pensar e no fazer pedagógico, criando um ambiente em que o aluno é levado a aprender a aprender.
Dividido em três momentos no contraturno, o aluno tem o aprendizado em Libras,
o aprendizado de Libras e o aprendizado de Língua Portuguesa.
                        Ele produz pela compreensão dos conhecimentos organizados num currículo nem linear, nem hierarquizado. Aprende interagindo na sala de aula comum, no atendimento do AEE, construindo e reconstruindo experiências e vivências conceituais.

Bibliografia:
DAMÁZIO,Mirlene Ferreira Macedo,FERREIRA, Josimário de Paulo.Educação
       Escolar de Pessoas com Surdez- Atendimento Educacional Especializado em Construção.
       Revista Inclusão.MEC,  jan/jul 2010